Qual o seu bicho de estimação?

Hoje em dia virou moda pessoas adotarem ou comprarem um bicho de estimação. Na verdade sempre tiveram animais de estimação, domesticados. Os preferidos são os gatinhos e cachorrinhos, mas tem bicho para todo gosto e estima.

A diferença é que hoje os cães e gatos foram humanizados. Trajam roupas para se aquecer, embora não precisem, mas trajam. Frequentam hotéis, vão a salões de beleza para cortar as unhas, digo, garras. O tratamento é completo. Também cortam e lavam seus pelos, ou seja, tem muita criança que gostaria de ser tratada como estes cães e gatos.

Eu que sempre andei na contramão dos modismos e gostos, confesso que o meu animal de estimação é o ser humano. Tudo bem, você vai dizer que sou antiquado, que não acompanho a evolução dos gostos, mas fazer o quê? Gosto dos humanos. Dos amigos, das mulheres, dos amigos das mulheres, das mulheres dos amigos, dos familiares, dos estranhos, dos estranhos familiares, dos familiares estranhos, enfim, gosto das pessoas.

Mas há quem goste de hamster que é aquele ratinho engraçadinho. Curtem, dão beijos, levam para passear, dormem juntos. Estima é estima. É grande o rol de bichos de estimação que os evoluídos gostam. Há quem goste de ganso, de jacaré, de onça. Sim, há quem tem estima por animais ferozes e gastam fortunas para alimentar estes animais, para adestrá-los e propiciar a eles uma vida confortável, e amansar o que é por natureza feroz, ou seja, gastam muito dinheiro para afastar o animal de sua natureza.

Tudo bem, mas meu bicho de estimação é o ser humano. Está certo que ser humano sacaneia, trai, fere o próximo e outras coisitas más, mas ainda assim gosto de gente. Gosto de conversar com crianças, com idosos. Você já parou para dar atenção a um idoso? Já percebeu quanta sabedoria e beleza tem um idoso? Eles são maravilhosos, ou eu que sou maluco, ou talvez as duas opções. O Idoso tem uma necessidade de escuta e afeto muito grande, mas também tem ouvidos e muito afeto para dar, é maravilhosa a troca. Das crianças nem preciso falar. Sim, sei que são arteiras e costumam aprontar. Mas, acredito que devam concordar comigo, um abraço de criança desmancha qualquer carranca. Expulsa qualquer tristeza. Jesus, não eu, mas o Divino, já disse há séculos: “Sejam puros como as criancinhas”, e Ele sabia o que estava falando.

Há quem goste de pássaros e peixes. Explicitam sua estima trancafiando os pássaros em gaiolas e os peixes em minúsculos aquários. Estranho? Pode ser, mas é a forma como demonstram seus afetos pelos animais citados. Inúmeras outras espécies de animais são objetos de estima por diferentes pessoas, de modo que seria inútil alongar-me e citar outros.

Mas eu… já sei que o leitor deve estar pensando: “gosto de ser humano”. Sim, gosto mesmo. De trocar ideias com outras pessoas, de ajudar a quem precisa, quando posso naturalmente. Também gosto de ser ajudado.

Talvez alguém imagine que não gosto de animais. Errou, porque gosto de cachorros e os humanos também são animais. E novamente na contramão do senso comum evoluído, que afirmam que os animais não sabem se cuidar e por isto precisam de ajuda, digo que o animal que mais precisa de ajuda é o ser humano.

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O compadre e o lobisomem.

João morava em uma pequena cidade do interior, com a esposa e dois filhos. A filha adolescente, 12 anos, chamava-se Bianca. O piá de oito anos tinha o nome de Lourenço.  João trabalhava como agregado em uma grande fazenda. A vida era humilde, porém repleta de felicidade. João amava Amália e os filhos. Não perdia oportunidade para ficar a sós com a esposa, para vivenciar as delícias da intimidade de um casal, que se ama.

A vida seguia maravilhosamente, até que um dia João ouviu de alguns vizinhos, que um lobisomem foi visto nas redondezas. Não acreditou no relato. Não era dado a crendices. Acreditava que o lobisomem era apenas mais uma lenda. “Povo do interior acredita em cada bobagem”, disse para si.

Entretanto, em um dia que voltava para casa com a família, em horário já avançado, ouviu uivos que lhe gelaram a espinha. Olhou para o céu e viu que a lua cheia brilhava intensamente. Não teve tempo de pensar algo. Ouviu novamente uivos. Desta vez o som parecia vir de distância mais próxima. A situação o aterrorizou. Olhou para a esposa e viu que ela estava pálida, aterrorizada. Olhou para os filhos. Viu o medo estampado na face deles. Sabia que cabia a ele tomar as rédeas da situação. Tirou o revólver da cintura, segurou em punho, pronto para atirar. Pediu à família apressar o passo e caminhar na frente dele, para poder protegê-la. Assim caminhando a passos largos, e com muito medo, a família chegou à residência. Abrigados, do interior da casa ouviram uivos que eram emitidos a distância pequena. João pegou o frasco com água benta e fez um círculo ao redor de sua casa. Os uivos cessaram. Cansada da festa, da caminhada e, principalmente, do medo, a família adormeceu.

No dia seguinte, os pais recomendaram aos filhos e a si mesmos que era preciso muita cautela, até que o lobisomem desaparecesse do local. Deviam recolher-se para casa antes do anoitecer. Amália lembrou a família que a aparição do lobisomem aconteceu no primeiro dia da lua cheia, logo, teriam que tomar precauções pelos próximos seis dias e lhes disse: “A vigília deve ser constante”. Os membros prometeram ficar atentos e empreender todo cuidado possível.

O combinado tornou-se realidade. Quando o sol começava a se por, a família entrava para casa e não saia mais. Mas aquela situação de medo e pânico constante incomodava João. Pensou que não poderiam viver daquele modo. Era preciso encontrar uma solução à assustadora situação. Deste modo, João começou a puxar pela memória as histórias de lobisomem, que os antigos lhe contaram. Chamou Amália para compartilhar suas lembranças. Igualmente, pediu à esposa que relatasse as informações, que acaso tivesse ouvido sobre lobisomens. Nestas ocasiões, a esposa arrepiava-se. Um sentimento de medo a invadia. João percebeu o mal estar da amada. Dispensou-a da tarefa de pesquisar meios de como livrar-se daquele nefasto homem lobo. Restava a ele a árdua tarefa.

Recordou que os antigos diziam que se alguém fosse mordido ou arranhado pelo lobisomem, também virava lobisomem. Tal lembrança lhe fez inferir que havia de manter distância do horrendo bicho. Um uivo interrompeu suas ruminações. Mas não havia jeito, tinha que continuar a busca. Veio a sua mente a lembrança que para matar lobisomem, era necessário que a bala fosse de prata. Tinha poucos recursos financeiros. Morava em lugar afastado dos grandes centros, ou seja, aquela informação não era de grande valia. De tanto puxar pela memória, lembrou que um ancião sábio, lhe havia dito que para saber quem era o lobisomem, era só pedir para o bicho vir à sua casa no próximo dia, buscar sal. Devia enfatizar ao bicho que viesse buscar o sal, durante o período do dia que a luz do sol estivesse a brilhar. Um medo lhe passou pela espinha no momento em que ponderou a certeza da receita, e se daria tudo certo. Não tinha muita opção. Precisava solucionar o problema. Lua cheia tem todo mês. Pensou que não haviam de viver aquele terror, mensalmente, pelo resto de suas existências.

Decidido a tomar uma atitude, falou para a esposa que no dia seguinte sairia durante a noite, com o intuito de convidar o lobisomem para buscar sal. Relatou que a busca do sal deveria acontecer sob a luz natural do dia. Tranquilizou a amada ao dizer que o lobisomem viria na forma humana. Deste modo, iriam descobrir quem era o lobisomem. Após descoberto, a fera não mais se atreveria a assustá-los. A esposa rogou a João que não fizesse aquilo. Disse que temia pela vida do amado. João resoluto, não deu ouvidos à esposa.

Mal o dia escureceu e João saiu da casa disposto a esperar a fera. Não demorou muito e ouviu uivos nas proximidades. Deu um tiro para o alto para assustar o monstro. Nada. Ao contrário, ouviu uivos ainda mais próximos. Atirou na direção que vinham os sons dos uivos e onde percebera movimentos. Nada. Os uivos agora soavam muito próximos. João tinha que agir. Poderia não ter outra chance. Avistou a horrenda fera a cem metros de sua residência. Era uma criatura feia e assustadora. Misto de homem com lobo. Estatura alta. Corpo coberto por pelos. Dentes e unhas extremamente afiados. Atemorizado, gritou para o monstro: “lobisomem, venha amanhã durante o dia buscar sal, aqui em minha casa”. Ao terminar a pronúncia da última sílaba, já estava dentro de casa. Amália e os filhos abraçaram João e aguardaram os próximos acontecimentos. Para surpresa da família, os uivos foram se tornando cada vez distantes, ou seja, o lobisomem afastou-se da casa. Feliz da vida, a família festejou. Amália estava pensativa, intrigada e parecia ter a atenção fixada em algo. João perguntou: “Amália, meu amor, o que está a acontecer contigo? Relaxe que o problema está perto do fim.” Com aceno positivo de cabeça, a esposa concordou com a fala de João. O esposo aproveitou que as crianças já estavam dormindo, pegou Amália no colo, levou-a ao quarto e vivenciaram uma ardente noite de amor.

No dia seguinte, acordaram mais tarde do que o costume, próximo das dez horas. Somente acordaram porque ouviram o som de insistentes palmas, em frente da casa. João pulou da cama, espiou pela janela e viu seu compadre em frente da casa. Disse ao mesmo para esperar um pouco, que iria vestir-se e já abriria a porta. Quando abriu a porta, convidou-o para entrar. Este declinou do convite. Disse que estava apressado. Somente queria um pouco de sal emprestado. João pegou o sal e deu ao compadre, que se retirou rapidamente.  O esposo contou o ocorrido para a amada. Enfatizou que o compadre deles é que era o lobisomem, que estava aterrorizando o local. Amália tremia da cabeça aos pés. João entendia o pavor da esposa, afinal de contas não é algo agradável saber que seu compadre é lobisomem… Neste momento, João começou a tremer e ficar nervoso com a recordação que lhe viera à mente, e tinha sido transmitida pelo mesmo ancião, que o ensinou a sugerir ao lobisomem a busca do sal. As palavras do ancião ecoavam em sua mente, a saber, que além das mordidas e arranhões, outra situação em que um homem pode virar lobisomem, é quando este homem mantém relações sexuais com sua comadre.