Fatos interessantes do atual momento político brasileiro.

 

 

O cenário político atual mostra coisas interessantes. De repente, o brasileiro vê uma face do país que não estava oculta, mas não estava tão escancarada.

Uma destas coisas é a baixa qualidade do congresso brasileiro. Todos sabem que por lá a corrupção faz morada. Mas neste momento de embate político evidenciou-se que o buraco é bem mais fundo. A coisa é muito pior do que se pensava. Na falta de argumentos para o debate as Vossas Excelências, que de excelência não tem nada, partem para a porrada. Isso mesmo. Não é raro ver deputados aos gritos e trocando socos para fundamentarem suas ideias. Dos 367 Deputados que votaram pelo afastamento da Presidenta Dilma, 60% deles são réus em processos no STF. E não é raro vermos estes, que no dia da votação do afastamento bradaram aos céus suas lisuras, aparecerem na mídia sendo presos por corrupção. Causa estranheza o ex-presidente Eduardo Cunha, comprovadamente corrupto, e grande herói de parte da nação ser considerado capaz de presidir a Câmara até o término do processo de afastamento da Presidenta. Após o serviço sujo feito, o STF o julgou incapaz de presidir a Câmara Federal. Laranja? Diante destas evidências alguns incautos pregam o retorno da ditadura militar. Quanta bobagem! É justamente o contrário. É de democracia que precisamos. Só para lembrar em 516 anos, o período democrático mais longo que tivemos foi de 25 anos, ou seja, se ditadura fosse sinônimo de qualidade, o Brasil estaria exibindo o selo ISO 9000 no âmbito político.

Por falar em STF, percebe-se no judiciário brasileiro uma preferência para julgar e condenar as lideranças trabalhistas. Há rigor e celeridade no julgamento das lideranças de esquerda. Cana neles! Porém, não se vê esta agilidade para julgar as lideranças de direita. Nem celeridade e muito menos boa vontade. Alguém sabe me dizer o que aconteceu com o helicóptero com meia tonelada de pasta de cocaína pura? Faça um exercício e imagine se o helicóptero e a fazenda fossem de um senador e um deputado da esquerda. Já imaginou?  Lembra do mensalão tucano? É de 1996. E da lista de Furnas? Dos desvios na área da saúde em Minas Gerais? Do cartel dos metrôs em São Paulo? Do aeroporto na fazenda do titio? Da… Do…

E o que o leitor pensa do comportamento ético da “nossa” imprensa? Imparcial?  Sabiamente o ex-primeiro-ministro italiano Massimo D’Alena disse que a imprensa brasileira não informa, faz propaganda. “Ela faz propaganda exaustiva de uma versão dos fatos. E não oferece espaço para o contraditório”. Acertou no fígado. Nocaute! É preciso lembrar que ela faz propaganda, péssima, somente quando os acusados são da esquerda. Nestes casos, a propaganda dá-se dia e noite. Quando falam de casos de corrupção da direita, dão notas pequenas. E no momento seguinte mudam rapidamente de assunto e apresentam matéria de algum êxito nacional no esporte ou nas artes. Em suma, o comportamento da imprensa é abominável. Não informa, formata cérebros.

Entretanto, o que mais salta aos olhos neste momento de turbulência e truculência da política nacional é que o Brasil tem donos. Só eles podem. E podem tudo. Os “donos” do Brasil são facilmente localizados na imprensa, no judiciário, na política e na sociedade civil. Quando contrariados não ousam em vociferar: “vão pra Cuba”. Dizem com a naturalidade de quem é dono deste país tropical e bonito por natureza. Evidenciam o fim do mito do brasileiro bonzinho e simpático. Suas bondades e simpatias foram expressas, entre outras ações, no adesivo em que colocaram a Presidenta de pernas abertas nos tanques de gasolina de seus carros. Quer maior demonstração de bondade, civilidade, educação e coração amoroso?

Os “proprietários” do Brasil querem nos impor o neoliberalismo goela abaixo. Ignoram que nas 4 últimas eleições a maioria da população brasileira rechaçou este projeto. Penso que eles pensam quão pretensiosos os trabalhadores quererem que seus votos tenham validade. Que ousadia querer que o voto de um trabalhador tenha o mesmo peso que o voto de um “dono” do Brasil. Consideram-se os herdeiros das capitânias, os “Sinhôs”, a Corte Imperial Brasileira do Século XXI. São contrários aos sindicatos que chamam de radicais. Sindicato de trabalhadores, naturalmente. Porque aos sindicatos de patrões são favoráveis.

Combatem ferozmente políticas públicas igual ao benefício bolsa família, que chamam bolsa esmola. Porém não dão um pio contra os subsídios polpudos que os empresários recebem. Afirmam que os pobres tem que aprender a pescar. Mas não se incomodam que o empresário não precise aprender a pescar. Que ganhe o barco, a rede e tudo o mais que precise para a pesca através dos subsídios. Não toleram que trabalhadores estudem e melhorem suas condições de vida. Ao contrário, educação e qualidade de vida é exclusividade deles, dos “donos” do Brasil. Isto é o que emerge dos seus discursos contraditórios e sem fundamento. Querem combater a corrupção com uma frente parlamentar ilegítima e corrupta, é mole?  Não vejo virtudes nas falas, ou falácias, dos “donos” do Brasil, ao contrário, o que emerge é cinismo.

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Os trabalhadores são o problema. — Paulo de Jesus

Pode-se dizer que no capitalismo os trabalhadores são o problema, o estorvo. Digo isso porque em qualquer crise econômica, grande ou pequena, quem vai para o sacrifício é sempre a classe trabalhadora. Numa visão maniqueísta dentro da ótica capitalista pode-se inferir que os trabalhadores são o mal, enquanto os empresários capitalistas são o supremo bem. […]

via Os trabalhadores são o problema. — Paulo de Jesus

Os trabalhadores são o problema.

Pode-se dizer que no capitalismo os trabalhadores são o problema, o estorvo. Digo isso porque em qualquer crise econômica, grande ou pequena, quem vai para o sacrifício é sempre a classe trabalhadora.

Numa visão maniqueísta dentro da ótica capitalista pode-se inferir que os trabalhadores são o mal, enquanto os empresários capitalistas são o supremo bem. O pior é que tem muito trabalhador que acredita nesta máxima.

Veja que se tem crise o ônus é sempre do trabalhador. A solução passa por sacrifícios dessa classe de pessoas abjetas que atravancam o desenvolvimento do capitalismo. O primeiro remédio, sempre receitado, é diminuir custos para aumentar a produtividade dos produtos tupiniquins no exterior. E qual custo que vai ser cortado? Adivinhou quem pensou que é o fator trabalho. Rebaixar salários, demitir pessoas e extinguir benefícios são as principais medidas. Traduzindo para o popular, discursam que é preciso que os pobres fiquem ainda mais pobres, para possibilitar que os ricos fiquem ainda mais ricos. E assim capitalizados os ricos “farão” investimentos para que seus lucros fiquem ainda maiores. E o trabalhador? Ah! Sim, este tem a previsão de que no “futuro” a economia melhore, e então ele terá emprego, poderá “usufruir” novamente de um salário, naturalmente que será necessário que sobreviva a crise.

Benefícios sociais, programas de saúde, educação e garantias dos direitos trabalhistas são aberrações, entre outras, que a classe dos degenerados necessita e que são verdadeiros entraves ao enriquecimento dos ricos, digo, ao desenvolvimento da economia.

É preciso preservar o capitalista, custe o que custar. Já percebeu que os donos do capital nunca vão para o sacrifício? Eles não precisam fazer esforços, conter gastos, ao contrário, são os trabalhadores que precisam conter gastos para que os capitalistas capitalizem-se. Então tá! Mesmo que essa contenção de gastos sociais custe a saúde e até a vida de trabalhadores. Não faz mal, trabalhador tem bastante, ao contrário dos capitalistas que são em número bem inferior, já observou?

O estado também pode ir para o sacrifício, mas não os capitalistas. O estado deve fornecer estradas, portos, isenções e subsídios para que os capitalistas fiquem capitalizados. Também deve fornecer força repressora, judiciário e polícia, para que os bonzinhos capitalistas tenham seus capitais, digo, direitos preservados. Em suma, estado máximo para os capitalistas e estado mínimo para os trabalhadores.

Recordei de uma piada, entre um otimista e um pessimista, que conto a seguir. O sujeito otimista diz para o outro: “A crise está grande e para sobreviver a sociedade vai ter que comer m…” Então o pessimista responde: “o problema nem é esse. O problema é que não tem m… suficiente para todos”. Se você fizer uma analogia da piada com o texto acima, advinha para qual classe vai faltar m…?