Resistir é preciso. Não temos alternativa.

13734867_1596747487290183_6975791558008540477_oNo caminho com Maiakóvski

“[…]

Na primeira noite eles se aproximam
e roubam uma flor
do nosso jardim.
E não dizemos nada.
Na segunda noite, já não se escondem;
pisam as flores,
matam nosso cão,
e não dizemos nada.
Até que um dia,
o mais frágil deles
entra sozinho em nossa casa,
rouba-nos a luz, e,
conhecendo nosso medo,
arranca-nos a voz da garganta.
E já não podemos dizer nada.

[…]”

Eduardo Alves da Costa.

 

“Não está morto quem peleia”. O ditado gaúcho é o sentimento que devemos trazer no peito neste momento decisivo em que será votado o impeachment da Presidenta Dilma no Senado. Somente a pressão das  ruas pode fazer  alguns senadores mudarem o voto. A vida passa tão rápido. Ainda lembro o piá que fui. Jogando bola nos terrenos baldios. De pé no chão, calção e camiseta surrados e muita habilidade com a redonda. Sim. Fui bom de bola. Agora, com barbas brancas vejo um cenário deprimente na nação.

Vejo as pessoas anestesiadas  e sem ânimo de luta. Uma nação prostrada em meio a corrupção deslavada que a assola. Vejo golpistas entregando as nossas riquezas ao capital estrangeiro.  Vejo o fim de programas sociais e retiradas de direitos trabalhistas. Também uma política econômica que visa capitalizar os capitalistas, em outros termos, vejo uma política que transfere renda daqueles que menos possuem para aqueles que muito possuem. Vejo canalhas que se travestiram de homens honestos e num golpe branco tomaram o poder, humilhando mais de 54 milhões de pessoas.  No outro extremo, situam-se os que apoiaram o golpe acreditando que estavam acabando com a corrupção nos trópicos. Esta ideia eles não tiveram por si próprios, antes, foram convencidos através de intensa propaganda de um mídia antiética. Embarcaram em uma canoa furada, foram enganados.

É neste contexto que se realiza o lançamento do livro Crônicas da Resistência 2016. O evento será o primeiro grande ato político, em Curitiba, em defesa do mandato de Dilma. Não podemos desistir da luta. A consciência não deixa. É preciso resistir a esta mediocridade. Aqueles que acreditam na democracia e sonham com um mundo melhor, precisam sair do conforto da tela do computador e ir à rua. Precisamos e contamos com vossos apoios e presenças. Político só age sob pressão do povo nas ruas. Vale lembrar que por ação ou omissão estaremos dando nossa contribuição. Perder não é feio. Feio é ser roubado e ficar quieto. Feio é roubar o poder como os golpistas fizeram. Apoiados por milhares de pessoas de bem, e ingênuos.

O poema acima ilustra bem a situação que vivemos. A militância da esquerda parece anestesiada e não vai à rua demonstrar sua insatisfação. Limita-se a compartilhar postagens  políticas nas redes  sociais. Estas postagens provam que o que houve foi golpe e explicita aos apoiadores do golpe sua contradição e engodo. Mas é pouco. Precisamos sair para as ruas. Muitos dos que apoiaram o golpe mudaram de ideia,  mas igualmente permanecem quietos. Talvez envergonhados da posição que tiveram.

Enquanto permanecemos quietos ou anestesiados, os golpistas vão avançando e destruindo os nossos direitos. O silêncio das ruas parece legitimar as ações de um governo golpista e corrupto. A velha mídia se cala frente aos casos de corrupção deste governo. Por que Romero Jucá está solto ainda? Por que não o trouxeram coercitivamente para Curitiba? Ele não estava trabalhando para impedir as investigações da Vaza a Jato?

Tal qual diz o poema, quando percebermos eles estarão dentro de nossa casa. Calarão nossas bocas com leis, impostos e muita repressão. Então já não poderemos dizer nada. A hora é agora. É preciso gritar que a nação não está contente com o golpe, e com os resultados que os golpistas vem produzindo. Vamos todos à rua participar dos atos políticos que tentam  restaurar a democracia e devolver a dignidade à nação.

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