A ideia do estado mínimo.

 

O leitor já ouviu políticos e economistas a pregar a ideia do estado mínimo? Creio que responderá sim. Neste texto vamos analisar, basicamente, o que significa tal proposição. O alicerce da doutrina é que o estado, no caso o governo, deve interferir o mínimo possível na economia do país. A economia, toda ela, deve ficar ao encargo da iniciativa privada e sua regulação ao encargo do onipotente mercado.

 

A ideia é maravilhosa, para os grandes capitalistas. São eles que possuem os meios de produção e o capital para investir. Não causa surpresa que preguem a ausência, digo, participação mínima do estado.

O governo, responsável pela administração do estado, não deve participar da economia, ou seja, não deve existir empresa pública. Antigamente, os adeptos do estado mínimo concediam que os governos cuidassem da saúde, da educação e segurança. Hoje, nem isso. Veja que pregam a privatização da saúde através dos planos privados. Isto significa que quem tem dinheiro tem acesso a saúde, quem não tem fica de fora. Igualmente pregam a privatização de universidades e até do ensino secundário, o antigo segundo grau. Serviços de segurança privada proliferam mais que ratos em lixões.

Diz a doutrina que imposto deve ser único ou mínimo, se preferirem. Observe que são os impostos que propiciam ao estado o fornecimento de serviços básicos e indispensáveis à população. Direito trabalhista, somente o indispensável. Preferencialmente que não exista nenhum. Preços dos produtos e serviços, e, igualmente, os salários devem ser resultado das forças do mercado, conhecidas como oferta e procura. Então tá! Não dizem que estas forças de mercado são facilmente manipuladas através de um acordo da quantidade ofertada e demandada. Isto pode ser acertado em um churrasco. Acaso não queiram participar da festa, também podem acordar estas regras através de um chat de bate papo de alguma mídia social ou através de email. Há outras facilidades de comunicação, mas não vem ao caso.

Entretanto, há ocasiões em que admitem uma forte participação do estado. Por exemplo, afirmam que o estado deve construir rodovias, ferrovias, aeroportos, portos, fontes de energia barata e outros. Os itens acima elencados devem ser construídos pelo estado para facilitar e dinamizar a economia, deles. Ah! Eles também dizem que o estado deve lhes fornecer isenções tributárias e subsídios, muitos subsídios.

Um olhar cândido verá tudo muito bonito, lógico. Agora se tirarmos as escamas dos olhos e lançarmos um olhar crítico a esta doutrina, veremos que a ideia do estado mínimo só vale para o povo. As proposições deles somente trazem ônus para a população, porque para os grandes capitalistas é somente bônus. Só alegria, para eles. Até nas situações em que admitem a participação do estado na economia, a equação ônus para o povo e bônus para eles, continua inalterada.

Adotar a ideia do estado mínimo é algo semelhante a soltar raposas em um galinheiro ou colocar lobos para cuidar de ovelhas. Acaso o leitor se dê ao trabalho de analisar criticamente a doutrina por eles propagada, verá que o estado é o máximo, para eles. Destas ideias pode-se ver que o estado é o salvador da pátria, deles. Não esqueça que capital não tem pátria.

Engana-se quem pensar que sou contra a iniciativa privada. Acerta aquele que pensar que sou contra o estado mínimo. O estado deve ser o agente regulador dos conflitos, que independente das vontades, sempre existirá nas sociedades.

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O Brasil dividido?

 

Muitos afirmam que o país está dividido. A causa seria a tensão entre capital e trabalho. Esta tensão sempre existiu. Só não existirá quando os trabalhadores estiverem dispostos a perder seus direitos ou abrir mão da conquista de novos direitos. Não sei o que pensa caro leitor, mas eu não estou disposto a abrir mão de meus direitos. Já não são muitos.

Embora a relação capital-trabalho figure na base da divisão e dos discursos acalorados, a verdadeira divisão que vejo é entre a classe trabalhadora. O Capital foi extremamente hábil e não só desmantelou a organização dos trabalhadores no país, como também jogou trabalhadores contra trabalhadores.

Chega a ser engraçado e hilário ver trabalhador, e estes são muitos raivosos, defendendo o capital.  Penso que os capitalistas devem dar gargalhadas da atitude dos assalariados que os defendem. Como entender alguém que defende os interesses de seu algoz? Como entender alguém que luta contra seus próprios interesses?

Alguém já percebeu, no atual momento político, capitalista brigando com capitalista? Não, né? Esta frase explica o porquê dos capitalistas estarem dando gargalhadas. Eles sabem que possuem o capital e todo o aparato do estado burguês para defender os seus interesses. Também estão cientes que isto não é suficiente e só conseguirão continuar no poder, causando divisão entre os trabalhadores. Igualmente sabem que somos a maioria absoluta. Daí decorre a necessidade de dividir a classe trabalhadora.

Quem sabe um dia, parte dos trabalhadores acordem e descubram que fazem parte da maioria, e quiçá se unam aos demais, já despertos, em prol de interesses comuns. Por estas e por outras lhe digo amigo leitor, enquanto houver trabalhadores que se digam capitalistas, e não o são porque capitalista é quem detém os meios de produção e não é o caso, perde a classe como um todo. Do exposto acima, fica evidente que quem está dividido é o fator trabalho, e não o Brasil.