O judiciário e a realeza.

O Judiciário e a realeza.

 

 

Quem pensa que a Realeza no Brasil foi extinta com a proclamação da república, engana-se. Na verdade, ela multiplicou-se e os inúmeros membros da corte imperial, atualmente, são os membros do judiciário brasileiro. Observe o comportamento, benesses, regalias e chegará à conclusão que herdaram os direitos que eram concedidos à monarquia. Não são Alices, mas vivem no mundo das maravilhas.

É preciso que um paralelo entre o judiciário e a monarquia tenha como parâmetro a monarquia medieval, que era absoluta e descendente dos deuses. Não dá para comparar com as monarquias atuais que são apenas fruto da cultura de alguns países, decorativas e com pequeno poder.

“Nosso” judiciário é absoluto. Podem tudo e ninguém pode nada contra eles. Podem grampear Presidente da República, condenar sem provas. Fazer militância política nas redes sociais, e num instante de folga correr ao tribunal e expedir liminar contra políticos que eles detonam nas redes sociais. Foi o caso do juiz que militava contra Lula e em três minutos expediu uma liminar impedindo-o de exercer o cargo de ministro. O Judiciário brasileiro lembra-me Kafka e sua obra maravilhosa O Processo. Recomendo leitura.

O estilo de vida luxuoso e nababesco aproxima os juízes da realeza. Recebem benefícios “reais” que a maioria do povo ficaria contente se um valor desses penduricalhos correspondesse ao seu salário mensal. Comecemos pelo famoso auxílio-moradia que é de R$ 4.377,00 e até juiz que tem casa própria recebe. Os juízes, proprietários de imóveis nas localidades em que trabalham, afirmam que requereram o princípio da isonomia, se um juiz recebe o outro pode receber. Porque não aplicaram o princípio de isonomia na propriedade ou não de imóvel na localidade em que trabalham? Não são tolos, e se utilizassem este parâmetro não teriam direito. Simples assim. Penso que nem o juiz que não tem imóvel onde trabalha deveria receber tal penduricalho, porque seu salário é alto e suficiente para pagar um aluguel ou adquirir um imóvel.

Alguns estados pagam auxílio educação no valor de R$ 7.000,00 aos juízes, mensalmente, para custear os estudos dos filhos até a idade de 24 anos. O filho do cidadão comum não tem este “direito” e adquire a maioridade aos 18 anos. Filho de juiz tem a benesse e figura como dependente do papai “estado” até os 24 anos. Os juízes inventaram uma classe social, a deles, que tem acesso a tudo no país e arrumaram um jeitinho brasileiro de perpetuar esta casta, digo, classe. Um trabalhador humilde que recebe salário mínimo não consegue igualar a soma de seus salários de sete meses com um auxílio-educação, de um filho, que um juiz recebe mensalmente. É… O auxílio educação é recebido por filho que esteja estudando. Quer mais?

Podem processar qualquer cidadão, mas não podem ser processados. Quando pegos em flagrante delito em suas funções são punidos com aposentaria precoce e mantêm o salário e regalias, ou seja, continuam com o padrão de vida suntuoso, só não precisam trabalhar. Isto é punição para quem erra? Férias para os juízes são de 60 dias. Diferente da sua, trabalhador comum, que é de 30 dias e pode ser parcelada em três vezes. Eles podem tudo. Suas decisões são imperativas. Não há como deixar de ver que os membros do judiciário herdaram os direitos dos extintos monarcas. Ocuparam o espaço vazio?

É preciso reconhecer que os juízes conhecem as leis a fundo. Tanto conhecem que conseguem fazer que seus salários de dezenas e centenas de milhares de reais ultrapassem o teto constitucional determinado pela lei, e continuem legais. Quer prova maior de conhecimento jurídico? Caro leitor, não é “real” e “majestosa” a vida que os membros do “nosso” judiciário desfrutam?

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A “vitória” dos derrotados.

A “vitória” dos derrotados.

 

Aqueles que foram derrotados quatro vezes consecutivas nas urnas encontraram uma maneira de vencer. Deram um nó em pingo de água e desprezaram a vontade do povo. Sapatearam em cima de 54 milhões de votos. Após perderem nas regras por eles estabelecidas, a eleição da democracia burguesa, utilizaram de artimanhas para aplicar um golpe branco e retirar a Presidenta eleita pelo povo para fazer as “mudanças” que julgam necessário. Tais mudanças jamais seriam aprovadas pelo povo em eleição ou plebiscito, daí a necessidade do golpe.

Por derrotados nomeio aqueles que não votaram na Presidenta Dilma Rousseff. O leque é variado e compõe-se de trabalhadores de direita, pequenos burgueses. Pessoas com grande influência na sociedade tais como juízes, grandes empresários, proprietários e jornalistas da grande mídia, que está na mão de seis famílias. Passa pela maçonaria, grupelhos fascistas e neonazistas. Adicione a este rol os deputados federais que não possuem currículo, mas ficha corrida.

Com o slogan de combate a corrupção eles unificaram o discurso para impor uma narrativa que desse uma aparência de legalidade ao golpe. A vitória deles foi tão horrível que se fizéssemos uma analogia com uma partida de futebol vencida na mão grande, diríamos que eles venceram com um gol impedido e feito com as mãos.

As forças ocultas, citadas por Jânio Quadros no passado, desvelaram-se e não tiveram pudor de utilizar  meios sórdidos para obterem seus intentos. Jogaram sujo na cara dura. Montaram o circo e sobrou para o povo fazer o papel do palhaço. Os líderes dos derrotados conseguiram fazer multidões desfilar atrás de um enorme pato amarelo de borracha jurando que não pagariam o pato, mas pagaram pato e mico. Continuam pagando ao ter seus direitos retirados e vendo políticas públicas que transferem parte de suas minguadas rendas para os mais abastados da nação.

 

A grande mídia fez e faz o papel da ala de frente ecoando o discurso daqueles que fazem os trabalhos de bastidores, são eles os políticos de direita, os intelectuais de direita e grande parte do judiciário. Um fala e outro amplifica o discurso unificado e ritmado, fornecendo aos pequenos burgueses, digo, trabalhadores de direita, material para explicitarem o ódio que sentem do movimento trabalhista, ou seja, lutam contra si e aqueles que lutam pelos seus direitos. Trabalhador de direita é contra sindicatos de trabalhadores, mas não abre mão dos benefícios conseguidos através de árdua luta.

Os derrotados seguem saboreando sua “vitória” ao retirar direitos trabalhistas, diminuir os salários dos trabalhadores e instalar pânico na classe assalariada. Trabalhador assustado é mais fácil de administrar. Pretendem fazer a reforma da previdência no “couro do povo” porque políticos, juízes e militares ficam de fora da reforma previdenciária. Congelaram os investimentos por vinte anos, ato que garante ao povo desemprego e nenhuma perspectiva de melhoria salarial.

A sobremesa desta “vitória” é a tentativa de destruir o já precário sistema educacional que o país possui. Evidenciando o seu desprezo pela nação e pelos trabalhadores, querem impedir o acesso destes a educação. Elegeram a educação como a inimiga. Retiram direitos dos professores, promovem o sucateamento do ensino público através do corte de investimentos e não escondem a intenção de privatizar as universidades federais. Vendem ativos da nação como o pré-sal, inicialmente projetado para ser a garantia de investimentos no sistema educacional. O combate à educação é estratégico e acontece porque ela desperta consciências e remove as escamas dos olhos daqueles que veem, mas não enxergam. Os derrotados “vencedores” andam na contramão da história ao impor suas vontades goela abaixo do povo. O resultado está a nossa vista e é desprezível.

A cereja do bolo é a condenação, sem provas, do ex-presidente Lula. A condenação é necessária para a continuidade do golpe e fragilização dos trabalhadores e movimentos populares. A empreita atual dos “vitoriosos” é impedir que os trabalhadores organizem-se e disputem as próximas eleições, porque temem o grito que vai ecoar das urnas.