Não dá para engolir.

Não dá para engolir.

 

Sei que estamos no início de 2017 e as pessoas ainda estão trocando felicitações. Aproveito a ocasião para desejar um ano repleto de realizações com muita saúde e  felicidade ao prezado leitor.  Mesmo em período de férias e festas tem coisas que quando nos vem à mente, não dá para aceitar, não desce na goela. Tem sapos que nos forçam a “engolir”, mas não descem. Ficam parados na garganta, por mais azeitados que estejam.

Um exemplo para ilustrar esta dieta indigesta é a reforma da Previdência. Estipularam a idade mínima para aposentadoria aos 65 anos e segundo alguns artigos há pessoas que precisarão trabalhar 49 anos para receber aposentadoria integral. Sim, tem a famosa idade de corte, 45 anos para as mulheres e 50 para os homens. Enquadro-me nesta situação, mas pelo que apreendi terei que pagar um pedágio de cinco anos a mais de trabalho. É frustrante ver, mais uma vez, o povo pagar a conta de “cagadas”, que não fez.

As “lideranças políticas” pintam, bordam e terceirizam a conta para o extrato mais pobre da população. Aqueles que pouco possuem pagarão a conta feita pelos poucos que muito possuem. Sim, porque a reforma da Previdência não atingirá aqueles que muito possuem. Eles não precisarão fazer sacrifícios. Os políticos continuaram  a  aposentar-se  com oito anos de trabalho, é mole? Continuaram com todos os benefícios de verbas adicionais, verbas de gabinetes, verbas disso e daquilo.

Formou-se uma casta no Brasil que está imune a trovoadas e vendavais. Sacrifício com eles não, terceirizam para o povo. No Judiciário estima-se que três de cada quatro juízes recebem mais que o teto estabelecido de R$ 33.763,00. Há inclusive magistrado que, ocasionalmente, recebe 500 ou 600 mil em um mês. E ainda  testemunhamos juízes pegos em delito serem punidos com aposentadoria compulsória, com salário integral. Vai você,  prezado leitor, cometer um delito, para ver se não te jogam atrás das grades?

Os militares estão inseridos nesta festa, digo, nesta casta. Não entram na reforma e continuam com o benefício da aposentadoria perpétua. A aposentadoria deles pode ser recebida indefinidamente por filhas e netas, desde que não casem. É óbvio que a beneficiária de pensão militar não casará no papel. Vai viver junto, mas não oficializa. Não é louca de perder a pensão.

Na casta inimputável  estão  os empresários e os donos de grandes fortunas, que por acaso também são empresários. A única preocupação deles é reduzir a parte que lhes cabe recolher, de seus assalariados, para a Previdência e impedir que alguma lei que tenha a pretensão de taxar as grandes fortunas seja aprovada. Só alegria.

O que é triste nisto tudo é ver o povo sem saber o que fazer  e sem ter para onde correr. Mas há trabalhadores que defendem a reforma. Acreditam no discurso que lhes chega via mídia e saem repetindo. Ainda mais triste é saber que o povo está desunido , quando deveria estar unido para lutar contra seus líderes. Sim, queiramos ou não são eles que estão liderando e (des)governando o país. Patética situação ter que lutar contra aqueles que foram eleitos para nos propiciar melhores condições de vida. Falo do Congresso que deveria discutir e aprovar leis para melhorar o cotidiano da nação. Na teoria, porque na prática querem é melhorar as condições de vida deles e dos grupos econômicos que representam, porque a maioria nem deputado é, é lobista.

Difícil engolir o discurso que a Previdência está quebrada porque as pessoas estão vivendo mais, que tem pouco contribuinte para muito beneficiário e etc… Precisa agregar neste discurso os recursos desviados para outras finalidades que não o pagamento de aposentadoria. Para ilustrar, cito o dinheiro, fortuna,  que foi utilizado para construir a Usina de Itaipu, a Transamazônica e as Usinas Nucleares de Angra. Por que esta fortuna não foi devolvida aos cofres da  Previdência? Falar do que foi roubado  é chover no molhado. Para citar um caso, lembram da Advogada Jorgina de Freitas que desviou mais de R$ 112.000.000,00? Certamente, não foi a única.

Triste, muito triste ver o país transformado em um país de coronéis, castas, e  pior é ver o povo classificado como uma casta de quinta categoria, um estorvo para o desenvolvimento do país.

 

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Como piorar algo que está ruim.

 

Quando quiser arrumar para a cabeça, sua e dos outros, siga as recomendações deste texto. Não acredite em povo organizado e nem em suas próprias forças. Rechace a ideia que a união faz a força. Terceirize a solução de seus problemas. Acredite em salvadores da pátria, mesmo que estes sejam grandes grupos de comunicação. E que, evidentemente, tenham outros interesses que não são o seu bem-estar.

Kant, filósofo alemão, em seu texto O que é o esclarecimento? Nomeia de minoridade intelectual o comportamento de pessoas que ao invés chamar para si a condução de seu destino e lutar para melhorá-lo, terceirizam para outros. Por outros se podem entender o pastor, o padre, o imperador, o exército, judiciário e por aí vai… Mas sempre se pode considerar que Kant estava errado, né?

Mas voltando as instruções, digo ao texto, despreze seu senso crítico e acredite em tudo que vê e ouve. Principalmente se a fala vier da elite ou de porta-vozes dela. Admita tudo como verídico. Tudinho. Não dê ouvidos àqueles que dizem que os interesses da elite são contrários aos do trabalhador, isto no caso de você ser um trabalhador, obviamente.

Assista e leia diariamente os noticiários da grande mídia. Através das notícias, potencialize o ódio que tem das organizações de trabalhadores, sindicatos, associações e afins. Refute qualquer ideia de sindicato de trabalhadores, mesmo sabendo que os empresários também têm os seus sindicatos, acredito que saiba. Vista roupas nas cores verde e amarelo, de preferência camisetas da CBF. Participe de grandes manifestações contra uma Presidenta honesta, caso o leitor discorde e tenha provas contra a ex Presidenta é só enviar ao Judiciário, preferencialmente para a República de Curitiba. Faz tempo que procuram e não acham nada. Ah! Só participe das passeatas que forem transmitidas ao vivo, pela maior rede de TV do país, e que sejam interpretadas e orquestradas por esta TV.

No caso de algumas pessoas, que tenham um pensamento contrário ao seu, te dizerem que o movimento não é contra a corrupção e visam somente à tomada de poder através de um golpe, não creia. Talvez digam que o interesse é privatizar o pré-sal e outras empresas estatais, refute-os. Jamais acredite se disserem que está lutando contra seus próprios interesses e reforçando o poder da oligarquia, bobagem. E se acontecer de te dizerem que o pano de fundo é retirar direitos sociais e trabalhistas, dificultando ainda mais tua difícil vida,não acredite, gargalhe destas falas. Acredite com toda tua força que as pessoas que lutam e querem mais benefícios sociais e trabalhistas são comunistas, nunca duvide.

Bata panelas como sinal de protesto e para fazer bastante barulho. Bata com força, igual àqueles que recentemente aprenderam a bater panelas, que sempre estiveram fartas. Siga, aprecie e venere um enorme pato de borracha amarelo e, principalmente, jamais considere a fala de alguém que diga que quem vai pagar o pato é você.

A alegoria da caverna na atualidade.

 

 

Platão discorre sobre a Alegoria da Caverna no capítulo 7 de seu livro A República. O mito é amplamente conhecido e estudado. Mas é preciso dizer do que se trata, ao menos sucintamente. Diz que no interior de uma caverna há homens acorrentados e de costas para a saída. Impedidos de movimentar-se viam apenas as sombras que eram projetadas na parede, no lado interno. Uma fogueira, no lado externo, projetava para o interior, sombras de pessoas e animais que passavam na frente da caverna. Os prisioneiros acreditavam que as sombras dos objetos eram os próprios objetos, e não apenas sombras deles.

Muito bem. Percebe-se nos dias atuais que grande parte da população está vendo apenas sombras, que acreditam ser a realidade. Compram o discurso e propaganda de combate a corrupção como se isto fosse o real, e na verdade são apenas vultos. O povo precisa aprender a ler as entrelinhas, a discernir a motivação que embasa um discurso.

O discurso da moralidade não passa de névoa porque nem sombra é. Fundamentam a fala na moralidade, mas o objetivo era e é a tomada do poder. Cientes que não conseguiriam o poder através das urnas, vide 4 derrotas consecutivas, resolveram discursar o que o povo queria ouvir. E conseguiram. Corruptos discursando que acabariam com a corrupção. O povo acreditou.

O modus operandi que utilizam para construir um país ético nada tem de ético, ao contrário, eles atropelam a lei e o “réu” é condenado antes do julgamento, e o que é pior, sem provas. Sempre ouvi dizer que na ausência de provas o benefício deve ser dado ao “réu”. Mas não é o que acontece na república das bananas, digo, do Brasil. Basta elaborar um discurso lógico e adorná-lo com propaganda a exaustão, que a maior parte da população acredita. Acredita porque desconhece uma fala da filosofia cética que diz que é possível produzir um discurso forte e com capacidade de persuasão, a favor ou contra qualquer coisa. Dito isto, o leitor pode imaginar o valor de provas materiais e irrefutáveis em um julgamento. Igualmente pode imaginar o valor da declaração de uma ministra do STF que ao proferir seu voto, no julgamento do mensalão, disse que mesmo não tendo sido apresentado provas, ela votaria embasada na literatura jurídica.

Recentemente, anularam mais de 54 milhões e 500 mil votos sem uma prova sequer de que a Ex-Presidenta Dilma fosse culpada ou corrupta. As tais “pedaladas” também foram feitas por FHC, por Lula e por 17 governadores que estão exercendo seus mandatos, e não há nenhum questionamento das “pedaladas” destes. Parece que ao invés de construir um país ético, estamos construindo um país de cínicos, de sarcásticos indiferentes à legalidade, contanto que consigam seus objetivos. Esquecem que pau que bate em Chico também bate em Francisco.

Discursam querer levar o país para a modernidade, quando são a causa do atraso do país.  Falam querer distribuir as riquezas, quando na verdade querem é preservar seus privilégios. Seus atos os contradizem e fica explicito que o resultado de suas ações será maior concentração de renda. Representam o que tem de mais arcaico, mais retrógrado nos trópicos. A parcela dos brasileiros que aplaude e enxerga sombras, não consegue visualizar que o mais prejudicado é o povo, ou seja, eles mesmos. Aplaudem e ovacionam aqueles que vão lhes chicotear, aqueles que vão lhes retirar direitos. Vai entender este apego a corrente. Difícil. Será que é tão difícil para a sociedade enxergar e compreender que só vamos nos desenvolver enquanto nação através da inclusão dos excluídos? São milhões de pessoas. Número maior que a população de muitos países juntos. Milhões de consumidores que ficam a margem e a deriva por causa da ganância de alguns que acreditam serem donos do país.

É muito difícil entender que para construir uma sociedade ética é preciso respeitar as leis? Faz-se necessário que as leis sejam iguais para todos, e não só para um campo ideológico. Ganhar o “jogo” embasado em discurso tendencioso e muita propaganda é igual a ganhar uma partida de futebol com gol ilegítimo, roubado, ou seja, não se constrói uma nação ética valendo-se de artifícios antiéticos, ao contrário, apenas reforça-se a ideia de que vale tudo para impor uma visão de sociedade. Vale tudo para alcançar os seus objetivos, em outros termos, o comportamento corrupto é afirmado e legitimado.

“(…) tendo ido lá acima, voltou com a vista estragada, pelo que não vale a pena tentar subir até lá? E se a alguém tentar libertar e conduzir para o alto, esse alguém não o mataria, se pudesse fazê-lo? (…)” (Platão, A República. Pág.228).

Na Alegoria da Caverna, Platão diz que se um dos prisioneiros conseguisse soltar-se das correntes e após adaptar-se com a iluminação externa iria ver os objetos tais como eles são. Acaso retornasse para contar a verdade aos demais que ficaram acorrentados, estes não acreditariam e tentariam matá-lo. Basta estabelecer uma analogia da citação acima com o momento atual, para perceber a veracidade da fala de Platão. Tudo se explicita. Como diz aquele ditado popular antigo do tempo que as mulheres se maquiavam com “pó de arroz”: “não é pó de arroz, mas está na cara”. Basta o prezado leitor olhar para a atualidade e ver trabalhadores lutando contra seus direitos. Acaso não é repetido à exaustão o bordão de que política não vale a pena, quando na verdade “veem” seus destinos decididos pelos políticos. Fazem isto não porque sejam burros, mas porque apenas veem sombras e acreditam ser o real. E quando aqueles que conseguem ler as entrelinhas lhes mostram o objeto real, eles não ficam furiosos? Não enchem o peito de raiva e saem semeando ódio? Quer arrumar um inimigo? Mostre para alguém que sua interpretação está errada.

Há muito tempo que uma parcela da sociedade alerta que o objetivo não era o combate a corrupção. Hoje isto está comprovado. É só olhar no atual governo, quantos ministros fichas sujas tem. É só observar que os partidos que estão no poder atualmente, DEM, PMDB e PSDB, foram classificados em primeiro, segundo e terceiro lugar no ranking da corrupção divulgado pelo TSE em 2016. É mole? Ranking de corrupção!  É caro leitor, aqueles que pregam discurso ético são os que lideram o ranking.  E então emerge a pergunta: está ou não grande parcela da população a ver sombras e a acreditar que aquilo que vê são objetos reais?

Também se alertou fartamente que o objetivo em relação à Petrobrás não era saná-la e sim vender o pré-sal. Havia um projeto em que 75% dos recursos oriundos do pré-sal iriam para a educação e 25% à área da saúde. Seria o “pulo do gato” para que nossa sociedade tivesse mais qualidade de vida. Precisa dizer de que lado a parcela da sociedade que só vê sombras, e que seria beneficiada, ficou? Agora que estão a testemunhar a venda do pré-sal para as grandes petrolíferas mundiais, talvez percebam que o alerta era verídico.

Estamos diante de um embuste em que o saque da hora é a reforma do ensino público por meia dúzia de burocratas. Reforma feita sem discussão alguma com a sociedade e os educadores. Resolveram retirar das grades Filosofia, Sociologia e outras matérias do âmbito das Ciências Humanas. Engraçado, estão retirando a disciplina que ensina a pensar metodicamente, a ter uma visão crítica da sociedade e também a disciplina que mostra como a sociedade é constituída, como é formada e quais são suas tensões. Fazem isto para colocar mais matérias técnicas, ou seja, querem mais robôs para apertar parafusos, vide Tempos Modernos de Chaplin, e menos cidadãos pensantes capazes de construir uma nação livre e independente. Advinha de que lado aqueles que somente veem sombras vão se postar? Uma bala de caramelo para quem acertar. Em suma, a Alegoria da Caverna está atualíssima nos trópicos, 2500 anos depois de ser escrita.

Terra de coronés.

 

 

Quem imagina que coroné é coisa do passado, engana-se.  Eles estão por aí. Nas diversas atividades sociais. E o pior é que estão mandando, e muito.

Nos rincões afastados do país talvez ainda usem aqueles trajes rurais típicos com o fique quieto, revólver, na cintura. Donos da vida e da morte, do destino e da vontade das pessoas. São magistralmente descritos por Jorge Amado em seus romances.

Percebe-se que mais de um século depois da proclamação da república eles proliferaram e atuam em diversos segmentos da sociedade. Estão no setor de comunicações, representados por seis ou sete famílias que controlam a imprensa de um país de dimensões continentais e 204 milhões de gados, digo, pessoas. Embora chamem os brasileiros de telespectadores ou leitores, na verdade os tratam como gados, dirigindo seus pensamentos e os direcionando igual aos vaqueiros quando conduzem a boiada.

São facilmente observados no Judiciário. Onipotentes e intocáveis. Podem tudo e ninguém ou nada pode contra eles. Quando pegos em delitos ou cometendo erros absurdos sofrem uma punição, que é a aposentaria com salário integral e todas as benesses da ativa. Há coronés deste setor que desrespeitam leis. Transformam-se em justiceiros e nada lhes acontece. Seletivos e ágeis quando lhes convém. O contrário também é verdadeiro porque são lentos e vagarosos em alguns processos idênticos àqueles em que aplicam celeridade.

Também estão situados na esfera econômica. Capitalistas tardios. Gostam de ganhar muito e pagar pouco. Há os que preferem o trabalho escravo. Inclusive tem senador acusado de manter pessoas trabalhando em regime de escravidão em suas fazendas. Pregam a concorrência para o povo na busca de emprego. Eles preferem os conchavos e risco zero. Alguns continuam no setor rural, hoje nomeado agro negócio.  Muitos além de atuar nesta esfera, igualmente, estão na indústria e no setor de serviços. A mentalidade primitiva e o modus operandi continuam os mesmos. Podem tudo e o povo só pode aquilo que permitem.

É inegável que a área que mais gostam é a política. São vistos nas esferas municipais, estaduais e federais. Enquanto muitas pessoas batem no peito e dizem não gostar de política, e se dizem imparciais embora sempre neguem um lado, os coronés adoram política. Gostam tanto que para eles não há diferença entre o estado e suas famílias, suas terras e empresas. É tudo deles. Está tudo dominado, pensam. Acaso o leitor observe os sobrenomes dos políticos irá perceber que o coronelato é hereditário. Lembrou as capitânias hereditárias? Parece que elas se modernizaram. Engana-se quem pensar que coroné é exclusividade do Nordeste. Estão em todo o país, no Sul, Sudeste e Centro Oeste que são as regiões mais ricas da nação.

No momento não há melhor exemplo para ilustrar a presença dos coronés, em nosso cotidiano, que Temer e seu ministério.

A ideia do estado mínimo.

 

O leitor já ouviu políticos e economistas a pregar a ideia do estado mínimo? Creio que responderá sim. Neste texto vamos analisar, basicamente, o que significa tal proposição. O alicerce da doutrina é que o estado, no caso o governo, deve interferir o mínimo possível na economia do país. A economia, toda ela, deve ficar ao encargo da iniciativa privada e sua regulação ao encargo do onipotente mercado.

 

A ideia é maravilhosa, para os grandes capitalistas. São eles que possuem os meios de produção e o capital para investir. Não causa surpresa que preguem a ausência, digo, participação mínima do estado.

O governo, responsável pela administração do estado, não deve participar da economia, ou seja, não deve existir empresa pública. Antigamente, os adeptos do estado mínimo concediam que os governos cuidassem da saúde, da educação e segurança. Hoje, nem isso. Veja que pregam a privatização da saúde através dos planos privados. Isto significa que quem tem dinheiro tem acesso a saúde, quem não tem fica de fora. Igualmente pregam a privatização de universidades e até do ensino secundário, o antigo segundo grau. Serviços de segurança privada proliferam mais que ratos em lixões.

Diz a doutrina que imposto deve ser único ou mínimo, se preferirem. Observe que são os impostos que propiciam ao estado o fornecimento de serviços básicos e indispensáveis à população. Direito trabalhista, somente o indispensável. Preferencialmente que não exista nenhum. Preços dos produtos e serviços, e, igualmente, os salários devem ser resultado das forças do mercado, conhecidas como oferta e procura. Então tá! Não dizem que estas forças de mercado são facilmente manipuladas através de um acordo da quantidade ofertada e demandada. Isto pode ser acertado em um churrasco. Acaso não queiram participar da festa, também podem acordar estas regras através de um chat de bate papo de alguma mídia social ou através de email. Há outras facilidades de comunicação, mas não vem ao caso.

Entretanto, há ocasiões em que admitem uma forte participação do estado. Por exemplo, afirmam que o estado deve construir rodovias, ferrovias, aeroportos, portos, fontes de energia barata e outros. Os itens acima elencados devem ser construídos pelo estado para facilitar e dinamizar a economia, deles. Ah! Eles também dizem que o estado deve lhes fornecer isenções tributárias e subsídios, muitos subsídios.

Um olhar cândido verá tudo muito bonito, lógico. Agora se tirarmos as escamas dos olhos e lançarmos um olhar crítico a esta doutrina, veremos que a ideia do estado mínimo só vale para o povo. As proposições deles somente trazem ônus para a população, porque para os grandes capitalistas é somente bônus. Só alegria, para eles. Até nas situações em que admitem a participação do estado na economia, a equação ônus para o povo e bônus para eles, continua inalterada.

Adotar a ideia do estado mínimo é algo semelhante a soltar raposas em um galinheiro ou colocar lobos para cuidar de ovelhas. Acaso o leitor se dê ao trabalho de analisar criticamente a doutrina por eles propagada, verá que o estado é o máximo, para eles. Destas ideias pode-se ver que o estado é o salvador da pátria, deles. Não esqueça que capital não tem pátria.

Engana-se quem pensar que sou contra a iniciativa privada. Acerta aquele que pensar que sou contra o estado mínimo. O estado deve ser o agente regulador dos conflitos, que independente das vontades, sempre existirá nas sociedades.

O Brasil dividido?

 

Muitos afirmam que o país está dividido. A causa seria a tensão entre capital e trabalho. Esta tensão sempre existiu. Só não existirá quando os trabalhadores estiverem dispostos a perder seus direitos ou abrir mão da conquista de novos direitos. Não sei o que pensa caro leitor, mas eu não estou disposto a abrir mão de meus direitos. Já não são muitos.

Embora a relação capital-trabalho figure na base da divisão e dos discursos acalorados, a verdadeira divisão que vejo é entre a classe trabalhadora. O Capital foi extremamente hábil e não só desmantelou a organização dos trabalhadores no país, como também jogou trabalhadores contra trabalhadores.

Chega a ser engraçado e hilário ver trabalhador, e estes são muitos raivosos, defendendo o capital.  Penso que os capitalistas devem dar gargalhadas da atitude dos assalariados que os defendem. Como entender alguém que defende os interesses de seu algoz? Como entender alguém que luta contra seus próprios interesses?

Alguém já percebeu, no atual momento político, capitalista brigando com capitalista? Não, né? Esta frase explica o porquê dos capitalistas estarem dando gargalhadas. Eles sabem que possuem o capital e todo o aparato do estado burguês para defender os seus interesses. Também estão cientes que isto não é suficiente e só conseguirão continuar no poder, causando divisão entre os trabalhadores. Igualmente sabem que somos a maioria absoluta. Daí decorre a necessidade de dividir a classe trabalhadora.

Quem sabe um dia, parte dos trabalhadores acordem e descubram que fazem parte da maioria, e quiçá se unam aos demais, já despertos, em prol de interesses comuns. Por estas e por outras lhe digo amigo leitor, enquanto houver trabalhadores que se digam capitalistas, e não o são porque capitalista é quem detém os meios de produção e não é o caso, perde a classe como um todo. Do exposto acima, fica evidente que quem está dividido é o fator trabalho, e não o Brasil.

Resistir é preciso. Não temos alternativa.

13734867_1596747487290183_6975791558008540477_oNo caminho com Maiakóvski

“[…]

Na primeira noite eles se aproximam
e roubam uma flor
do nosso jardim.
E não dizemos nada.
Na segunda noite, já não se escondem;
pisam as flores,
matam nosso cão,
e não dizemos nada.
Até que um dia,
o mais frágil deles
entra sozinho em nossa casa,
rouba-nos a luz, e,
conhecendo nosso medo,
arranca-nos a voz da garganta.
E já não podemos dizer nada.

[…]”

Eduardo Alves da Costa.

 

“Não está morto quem peleia”. O ditado gaúcho é o sentimento que devemos trazer no peito neste momento decisivo em que será votado o impeachment da Presidenta Dilma no Senado. Somente a pressão das  ruas pode fazer  alguns senadores mudarem o voto. A vida passa tão rápido. Ainda lembro o piá que fui. Jogando bola nos terrenos baldios. De pé no chão, calção e camiseta surrados e muita habilidade com a redonda. Sim. Fui bom de bola. Agora, com barbas brancas vejo um cenário deprimente na nação.

Vejo as pessoas anestesiadas  e sem ânimo de luta. Uma nação prostrada em meio a corrupção deslavada que a assola. Vejo golpistas entregando as nossas riquezas ao capital estrangeiro.  Vejo o fim de programas sociais e retiradas de direitos trabalhistas. Também uma política econômica que visa capitalizar os capitalistas, em outros termos, vejo uma política que transfere renda daqueles que menos possuem para aqueles que muito possuem. Vejo canalhas que se travestiram de homens honestos e num golpe branco tomaram o poder, humilhando mais de 54 milhões de pessoas.  No outro extremo, situam-se os que apoiaram o golpe acreditando que estavam acabando com a corrupção nos trópicos. Esta ideia eles não tiveram por si próprios, antes, foram convencidos através de intensa propaganda de um mídia antiética. Embarcaram em uma canoa furada, foram enganados.

É neste contexto que se realiza o lançamento do livro Crônicas da Resistência 2016. O evento será o primeiro grande ato político, em Curitiba, em defesa do mandato de Dilma. Não podemos desistir da luta. A consciência não deixa. É preciso resistir a esta mediocridade. Aqueles que acreditam na democracia e sonham com um mundo melhor, precisam sair do conforto da tela do computador e ir à rua. Precisamos e contamos com vossos apoios e presenças. Político só age sob pressão do povo nas ruas. Vale lembrar que por ação ou omissão estaremos dando nossa contribuição. Perder não é feio. Feio é ser roubado e ficar quieto. Feio é roubar o poder como os golpistas fizeram. Apoiados por milhares de pessoas de bem, e ingênuos.

O poema acima ilustra bem a situação que vivemos. A militância da esquerda parece anestesiada e não vai à rua demonstrar sua insatisfação. Limita-se a compartilhar postagens  políticas nas redes  sociais. Estas postagens provam que o que houve foi golpe e explicita aos apoiadores do golpe sua contradição e engodo. Mas é pouco. Precisamos sair para as ruas. Muitos dos que apoiaram o golpe mudaram de ideia,  mas igualmente permanecem quietos. Talvez envergonhados da posição que tiveram.

Enquanto permanecemos quietos ou anestesiados, os golpistas vão avançando e destruindo os nossos direitos. O silêncio das ruas parece legitimar as ações de um governo golpista e corrupto. A velha mídia se cala frente aos casos de corrupção deste governo. Por que Romero Jucá está solto ainda? Por que não o trouxeram coercitivamente para Curitiba? Ele não estava trabalhando para impedir as investigações da Vaza a Jato?

Tal qual diz o poema, quando percebermos eles estarão dentro de nossa casa. Calarão nossas bocas com leis, impostos e muita repressão. Então já não poderemos dizer nada. A hora é agora. É preciso gritar que a nação não está contente com o golpe, e com os resultados que os golpistas vem produzindo. Vamos todos à rua participar dos atos políticos que tentam  restaurar a democracia e devolver a dignidade à nação.